Sempre Em Busca Da Comunhão
Foi a minha primeira palavra quando da posse efetiva, e acho que é necessário voltarmos a ela. Tenho algumas razões para isto, especialmente quando se respira um arzinho meio estranho, meio de canto.
Não sei se comunhão é um tema contagiante. Isto porque parece que as Igrejas nos centros urbanos resolveram assumir o novo “ethos” do isolamento. A gente é amigo, gosta de estar junto, mas não muito mais do que isto. Isto quer dizer que se você for a um culto e sentir que as pessoas quase não se conhecem, apenas se encontram, e a celebração passa a ser apenas um “ajuntamento” (palavra até preferida por alguns grupos), não estranhe, pois é isto mesmo. Todos estamos muito ocupados e quase preferimos o anonimato.
Se isto for verdade, e acredito que seja, estaríamos precisando re-aprender outras conotações, outros significados, de algumas expressões que marcaram a vida da Igreja em outros tempos. Estou falando de comunhão, amor, convivência, perdão, etc. Isto porque não é possível esperar o exercício destes valores durante o tempo em que estamos separados e distantes, como acontece durante a semana. Ao que parece, o único momento é o reencontro quando dos serviços do culto, ensaios, celebrações, confraternizações, etc. Em outras palavras, pelo menos no que diz respeito ao relacionamento entre nós, o tempo disponível e possível que temos é quando nos encontramos para fazer alguma ou qualquer coisa quando dos cultos dominicais. Claro que eu sei que durante a semana há muita conversa por telefone, contatos de visitas e parentes articulando isto ou aquilo, e que também não pode ser desconsiderado. Quase sempre estas conversas, quando não tratam de algo nobre, como uma visita, uma palavra amiga, ou uma simples adequação de ações administrativas, via de regra, são conversas que de alguma maneira não ajudam muito a comunhão. Mas, deixa prá lá, ninguém pode tentar controlar estas coisas, não é mesmo?
A questão então é: como trabalhar os valores cristãos quando temos um tempo tão definido e limitado para exercê-los? A resposta parece ser bastante clara: precisamos aproveitar bem, muito bem mesmo, o momento quando estamos juntos. É muito importante que qualquer coisa que você diga ou faça, tenha como foco facilitar a convivência. Não se trata de alguma coisa por acaso, como se pudesse dar certo ou não, ou ainda como se não dependesse de você. Estou dizendo que você precisa provocar o bem-estar. Venha para os cultos e pense que você hoje será um instrumento de Deus para colaborar na comunhão. Em outras palavras, não esteja na defesa, precavido, na resistência, fazendo uma leitura de que tudo o que acontece ou dizem está direcionado para criar-lhe dificuldades. Não pense assim. Venha preparado para fazer diferença. Mais que isto, ajude-nos a fazer do nosso convívio um lugar feliz. Converse com as pessoas como quem traz um coração cheio de boas-novas; cheio do amor de Deus; cheio de paixão pela obra do Senhor. Resolva os problemas não como quem trata assuntos com um inimigo. Já temos um “inimigo” que é suficiente. No nosso caso, Deus espera uma atitude diferente; um convívio diferente; uma presença diferente.
Estou tentando dizer que você é responsável pela convivência, carinho e bom relacionamento na vida Igreja. Não são grandes programações que fazem isto. É por esta razão que as igrejas têm deixado de ser igrejas. A pessoa traz a cultura da sala de televisão para os cultos. Ou seja, a família toda fica direcionada a olhar, não para os lados onde estão as pessoas, mas para o vazio onde estão as “coisas”. Coisa é tudo o que não é gente, é virtual, não existe, embora esteja ali. Coisa é o que só diz e não escuta. Creio que você não conversa com a televisão, isto porque ela só trata de “coisas”. Você não conversa com “coisas”, só com pessoas. O culto não tem uma só direção “para frente”, como quem contempla um teatro, um show. Culto é lateralidade, empatia e calor humano com quem está do lado. É, acho que já disse o que queria. Não esqueça: faça um bom uso do tempo que está aqui para cativar, amar e perdoar. Só você pode fazer isto, e é muito importante que o faça.
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