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Curso para Professores de EBD – Gratuito

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Trabalho sobre o Livro de Jonas

Aluno: Tiago Nogueira de Souza

Disciplina: Antigo Testamento 3 – Professor Luciano Peterlevitz

Jonas

Quando Deus escolhe alguém, Ele mesmo faz
Tudo o que determinou em seu coração
Capacita os chamados
Fortalece os seus braços
Pois a obra é dEle e não falhará

(Ana Paula Valadão)

1. Introdução

וַיָּחֶל יוֹנָה לָבוֹא בָעִיר מַהֲלַךְ

Cinco palavras! Esse foi o tamanho do sermão de Jonas para a cidade de Nínive, o efeito desse micro sermão foi enorme, a cidade inteira se arrependeu de seus pecados.

No entanto, o registro do livro de Jonas retrata um contraste entre duas percepções diferentes sobre a missão. O conflito entre a cidade de Jerusalém e o exército da Assíria que mostrava um forte antagonismo, fato suficiente para produzir em Israel a rejeição de qualquer proposta para enviar missionários para Nínive. O caso de Jonas revela a realidade do Deus Eterno decidir enviar um profeta missionário para pregar o arrependimento, justamente na principal cidade do povo inimigo. Este trabalhão tentará analisar o caso Jonas sob este prisma, que nos faz perceber que, de um lado, está a teologia do profeta e, do outro, a ação do Deus que o comissionou para a missão.

A empreitada missionária de Jonas tinha como seu alvo a população da grande Nínive, cidade edificada por Nimrod, um homem poderoso e fundador de cidades (Gn 10:11). Posteriormente, Nínive veio a se tornar a cidade capital da Assíria e se tornou conhecida pela sua perversidade, tendo como sua divindade principal Ishtar, a deusa da guerra e do amor. Nínive era um centro urbano produtor de brutalidades e torturas militares, um centro de exploração do trabalho escravo. Ela é mencionada pelo profeta Naum como “a cidade sanguinária” (Na 3:1). Suas obras artísticas eram repletas de sensualidade e a sua idolatria abundante. A maldade de Nínive provocou a ira de Deus (Jn 1:2) e o aviso do seu julgamento fora decretado. Deus, assim, soberanamente, convocou e ordenou a ida do seu profeta Jonas para pregar e advertir a cidade do julgamento que estava por vir sobre a cidade. A missão de Jonas se torna um ensino explícito de que Israel, também, possuía responsabilidade proclamadora de ir ao encontro dos outros povos.

Jonas não compartilhava com o “projeto Nínive”, nem muito menos desejou associar-se à missão projetada por Deus para salvar aquela cidade. O seu livro, contudo, é um registro do mandato divino para uma missão transcultural, missão que, no enfoque particular do texto, se caracterizou por uma ação denunciadora da violência e injustiças, acompanhada de uma chamada ao arrependimento.


2. Sobre o Livro de Jonas

2.1 Esboço

A. Jonas, Do Chamado a Rejeição da Ordem Divina – 1.1-3

1. O Chamado de Jonas – 1.1-2

2. A Rejeição de Jonas – 1.3

B. A Fuga de Jonas, a Perseguição do Senhor – 1.4-17

1. O Senhor manda uma tempestade – 1.4-6

2. Jonas Diante dos Marinheiros – 1.7-16

3. O Senhor prepara um grande peixe – 1.17

C. A Restauração de um profeta – 2.1-10

1. A Oração de Jonas – 2.1-9

2. Jonas é vomitado – 2.10

D. Jonas cumpre a sua missão e prega em Nínive – 3.1-9

1. Jonas obedece ao seu chamado – 3.1-3

2. Jonas prega em Nínive – 3.4

3. A população de Nínive se converte – 3.5-9

4. Deus demonstra piedade com Nínive – 3.10

E. A tristeza de Jonas com o arrependimento de Deus – 4.1-11

1. Jonas não gosta do final da história – 4.1-5

2. Deus aplica uma lição a Jonas – 4.6-11

2.2 Versículo Chave

2.9c – “A salvação vem do Senhor”

3.10 – “Tendo em vista o que eles fizeram e como abandonaram os seus maus caminhos, Deus se arrependeu e não os destruiu como tinha ameaçado”.

2.3 Data

Uma das grandes dificuldades encontradas no livro de Jonas é descobrir a sua data de composição. O texto não especifica o autor do livro.

Segundo alguns autores, tais como William S. Lasor, David A. Hubbard, Frederic W. Busch[1] indicam que o livro fora escrito num período pós-exílico, no meio do século 5 a.C. Esta teoria é apoiada também por Russel Champlin[2]. Os principais argumentos defendidos por esses autores são que o livro de Jonas é entendido como uma parábola e visa confrontar o nacionalismo de Esdras e Neemias, numa época em que os samaritanos eram excluídos da participação nos cultos em Jerusalém.

Outros autores, como Carlos Osvaldo Pinto[3] e Gleason Archer[4] apóiam uma data mais antiga, algo mais próximo do século 8 a.C, provavelmente no ano de 760 a.C. Para apoiar esta idéia, eles sugerem que o livro tem um conteúdo histórico, que algumas peças, sugeridas como alegóricas pelos liberais não se encaixam, e a citação que Jesus faz no Novo Testamento sobre o profeta Jonas[5]

Baseado nessas justificativas, a melhor data apresentada, seria entre 771 a 754 a.C, período que compreende os limites do ministério do profeta Jonas.

Sabe-se, pelo menos, que o livro deve ter sido escrito antes do livro apócrifo de Eclesiástico, que relata em 49.10 a existência de doze livros dos profetas menores. Em Tobias, capítulo 14, versículos 4 e 8 fazem referência ao livro de Jonas.

A maioria dos estudiosos afirmam que o livro apócrifo de Tobias foi escrito antes do ano 200 a.C.

2.4 Autoria

Apresentar o autor do livro de Jonas, talvez seja, a mais difícil argumentação de todas as perguntas relacionadas ao seu conteúdo. Está é uma pergunta realmente difícil, pelo simples fato de que ninguém é capaz de apresentar uma resposta totalmente definitiva. A leitura dos mais variados comentários bíblicos simplesmente nos coloca diante de uma profunda incapacidade quanto a se fazerem asseverações dogmáticas a respeito da identidade do autor.

O nome Jonas, (no hebraico hnAoy, Yônâh, que quer dizer Pomba) era um nome muito comum em Israel. O pai de Simão Pedro, por exemplo, tinha esse nome[6].

Segundo Carlos Osvaldo[7]algumas pessoas, acreditando o livro ser uma alegoria, se mantêm céticas quanto à autoria do livro.

Existem três correntes, quanto a autoria do livro. A primeira, dos que acreditam que Jonas não passa de uma história, portanto o livro foi escrito por um anônimo qualquer, com o objetivo de combater o nacionalismo hebreu existente no século 5 a.C.

A segunda corrente, quanto à autoria do livro, afirma que existiu o profeta Jonas, mas o livro é uma biografia sobre ele e não uma autobiografia, essa corrente utiliza como argumentos:

· As referências no livro ao profeta Jonas aparecem sempre na terceira pessoa do singular, e;

· Um contemporâneo do profeta Jonas, jamais se referiria ao rei da Assíria como “o rei de Nínive”;

· Livro escrito no século 5 a.C, posterior a existência do profeta.

A terceira corrente afirma que o livro é escrito pelo próprio profeta Jonas, e utiliza como argumento:

· A referência que o autor faz a si mesmo na terceira pessoa do singular é uma prática literária comum utilizada na bíblia;

· Jesus cita Jonas nos evangelhos;

· Argumentos que dizem respeito à data do livro aparecem ser os mais prováveis.

Não é o objetivo, deste trabalho, provar o autor do livro de Jonas, mas cabe aqui deixar registrado que este autor acredita que o autor deste livro seja, de fato, o profeta Jonas.


2.5 Historicidade / Autenticidade

A autenticidade do livro de Jonas é muito criticada por estudiosos liberais, vários pontos tem sido questionados, alguns até relatados neste trabalho. Os livros de Isaías, Obadias, Naum, Habacuque relatam que o profeta teve uma visão do Senhor. O livro de Jonas começa semelhante a outros livros de profetas bíblicos, começa relatando a Palavra do Senhor, assim como os livros: Jeremias, Ezequiel, Oséias, Joel, Amós, Miquéias, Sofonias, Ageu, Zacarias. Ou seja, o livro do profeta Jonas, filho de Amitai que, viveu nos dias de Jeroboão II, começa não com uma apresentação em forma sonho ou visão, mas com uma situação em que se exige que Jonas se levante e siga para Nívive. No decorrer da história, o livro apresenta uma tempestade, a reação dos marinheiros, suas práticas pagãs e até seus surpreendentes apelos e sacrifícios a Javé, o relato da baleia e a visita de Jonas a Nínive.

Alguns estudiosos liberais contestam o texto, os argumentos utilizados são:

· O aramaico utilizado na compilação do livro de Jonas aponta para uma data posterior, portanto, distancia dos dias de Jonas, filho de Amitai. Porém, segundo Champlin[8], esse argumento perde sua força, pois em alguns livros do Antigo Testamento, encontra-se uma linguagem aramaica antiga, sendo encontrado até mesmo nos épicos de Rãs Shamra, encontrados em Ugarite, que datam cerca de 1.400 a.C.;

· A expressão “Rei de Nínive”, em uma época que o correto seria “Rei da Assíria”. Champlin afirma que era comum no Antigo Testamento, denominar o rei, como o rei da capital;

· Quanto ao tamanho de Nínive, ao ler Jonas 3.3, passa-nos a impressão de Nínive ser uma grande cidade, conforme diz Lasor[9], cerca de 100 km de diâmetro. No entanto escavações recentes mostram que esse tamanho seria improvável. Alguns teólogos afirmam que esse seria o tamanho total da Grande Nínive, ou seja, a pequena cidade e as cidadelas de sua adjacência.

· Lasor, afirma que Jonas, ao se referir à cidade de Nínive, utiliza o verbo no passado “era”, no hebraico hâyetah, tal menção só poderia ocorrer, provavelmente, depois de 612 a.C, ano da queda de Nínive, isso indicaria que a cidade já não existiria mais. No entanto, o autor poderia ter utilizado o verbo no tempo imperfeito, que no hebraico seria tihyeh, que ficaria semelhante a “E Nínive estava sendo (tihyeh) uma cidade grande”. Mas segundo Archer[10], o objetivo do autor de Jonas era enfatizar que Nínive já tinha passado por grandes transformações e naquele momento era uma grande cidade, isso só seria possível utilizando o verbo no tempo perfeito, ou seja, no hebraico hâyetah.

· Arrependimentos de Nínive num curto período – Declaram ser inconcebível, que qualquer cidade pagã como Nínive pudesse ter-se arrependido tão rapidamente. Ao ler o livro de Jonas, podemos ver, claramente, que a vontade e o poder de Deus, o Onipotente, estava agindo por trás de cada acontecimento.

· Relato sobre o Grande Peixe – Verdade ou Alegoria? Liberais declaram não ser possível a sobrevivência de um homem por três dias no ventre de uma baleia. Existem relatos, no livro de Frank Edwards[11], sobre um marinheiro que foi engolido por uma baleia e depois de recuperado sobreviveu por 18 anos.

· Nínive, uma cidade pagã, aceitaria uma religião monoteísta? Segundo Archer[12], sim. Existem algumas evidências históricas, que durante o ministério de Jonas, haveria épocas durante as quais teria, o profeta, achado uma atmosfera muito favorável à mensagem monoteísta. O rei de Nínive, provavelmente naquela época fosse Adade-Nirari III (810-783 a.C). Esse rei adorava ao deus Nebo[13], o que avançou na direção da monolatria. Archer também afirma, que se Jonas tivesse chegado em Nínive um pouco mais tarde, durante o reinado de Assurdã III (771-754), ele teria encontrado a população ninivita psicologicamente preparada e disposta por uma catástrofe total. Em 765 a.C. uma praga severa sobreveio à cidade, em 15 de junho de 763 a.C. houve eclipse total do sol e em 759 a.C. uma outra praga sobreveio à cidade.


2.6 História, Alegoria ou parábola?

Como classificar o livro de Jonas? Um livro que narre uma história real e histórica, ou é uma alegoria ou talvez uma parábola?

Segundo Isaltino Gomes[14], o livro tem que ser interpretado como literal, em todos os eventos, sem questionamentos, até mesmo a passagem sobre a baleia, Isaltino, em seu livro, relata[15] que o caso da baleia, no livro de Jonas, chama mais a atenção do que, de fato, ela merece.

Um liberal irá dizer que o peixe é uma figura de linguagem, ou seja, não é um peixe de verdade. Um conservador irá dizer que o peixe é literal.

Para muitos cristãos, não há dificuldade em acreditar que Deus criou o mundo em 6 dias, que Deus criou o homem a partir do barro, que Deus mandou chuvas que inundaram todo o planeta, que Deus salvou Daniel na cova de leões, que Deus salvou os amigos de Daniel na fornalha, que Deus mandou seu filho aqui na terra, e que Jesus, morto, ressuscitou ao terceiro dia. Mas existe uma grande dificuldade em acreditar que Deus mandou um grande peixe para engolir um profeta fujão.

Hernandes Dias Lopes, afirma que se: “Se a história de Jonas tivesse sido mera ficção, então, o sepultamento de Cristo na sexta-feira Santa, até a ressurreição no domingo de Páscoa, também seria ficcção, não havendo, portanto, qualquer base para a comparação. Se Jonas não é uma personalidade histórica, então sua profecia não existiu nem os ninivitas se converteram.”[16]

2.7 Estrutura Literária

Isaltino Gomes[17] relata que o livro de Jonas tem uma estrutura literária bem construída. Cada capítulo é uma unidade completa, deixando um gancho para o capítulo posterior.

O livro de Jonas tem, numa perspectiva estruturalista, três subtemas:

1. Deus envia Jonas em missão aos pagãos;

2. Deus e os pagãos;

3. Deus e Jonas.

Cada subtema sucede duas vezes. Algo digno de nota é que nos três subtemas, Deus é o sujeito. É ele quem comanda as ações. Deus e sua palavra estão no início e no fim do livro e estão acima de qualquer consideração humana.

Uma outra observação, importante a fazer, é que se Deus e sua palavra estão no início e no fim do livro, também estão no meio do livro. O que lemos em 2.10: “E o Senhor deu ordens ao peixe, e ele vomitou Jonas em terra firme.” O capítulo é um salmo que foi dividido em dez versículos. Em nove deles é Jonas quem fala. No último, quem fala é Deus. Todo o enredo da história, admiravelmente construído, caminha numa direção: Deus.

E o peixe? Diante de tantos fatos, é certo que o a figura do peixe perde sua importância nesse livro.

A lição teológica do livro é de fácil percepção. Deus é o Senhor, não apenas de Israel, mas da natureza, da história e de todas as nações. Sua vontade se cumpre, no final. Os homens não podem obstá-lo nem frustrá-lo. Sua graça é para todo o mundo. E ele se comove ao ver o arrependimento humano.

2.8 Mensagem

O livro de Jonas começa com “a palavra do Senhor” e conclui com o Senhor falando. Essa palavra desencadeia o processo e também o encerra. E sobre o que Deus fala no fim do livro? Qual o seu assunto final? A conclusão da pequena obra profética se dá com uma pergunta de Deus sobre Deus. Ele é o sujeito e, ao mesmo tempo, o tema da pergunta. Isto porque Javé é a pessoa principal do livro, a figura dominante. O livro nos mostra isso, além de ter um grande peixe e um profeta, Javé domina todo o livro. Jonas queira ou não queira, tem que ir para Nínive. Deus é quem dita o rumo dos eventos.

O que o livro de Jonas ensina sobre a salvação:

1. A salvação é uma dádiva oferecida a todos os povos e não apenas aos judeus.

2. A salvação é uma dádiva de Deus recebida pela fé e não obtida pelas obras.

O que o livro ensina a respeito de Deus:

1. Deus ama as nações e sua salvação é para todos os povos.

2. Deus é santo e não pode tolerar o mal.

3. Deus intervém na História e ninguém pode impedir Sua mão de agir.

4. Deus é misericordioso e salva até mesmo os nossos inimigos.

5. Deus conduz os Seus planos à consumação e nenhum deles pode ser frustrado.

6. Deus está no controle da História e também dos elementos da natureza.

7. Deus é fiel e Sua fidelidade é maior do que a fidelidade do homem.

8. Deus tem os ouvidos atentos para ouvir as orações.

9. Deus é o Deus de todos os povos e não apenas dos Judeus.

O que o livro ensina a respeito de Jonas

1. Jonas presumiu que sabia resolver os problemas de Deus

2. Jonas tem uma teologia certa e uma prática errada.

3. Jonas faz a obra de Deus, mas com a motivação errada.

4. Jonas quer mudar a mente de Deus em vez de mudar a própria conduta.

5. Jonas quer receber bênção, mas não quer ser bênção.

6. Jonas prefere morrer a se arrepender.

7. Jonas demonstra contradição mais do que contrição.

O que o livro ensina sobre os pagãos

1. Os pagãos oram com mais fervor aos seus deuses do que o profeta ao seu Deus.

2. Os pagãos temem a Deus e se convertem; Jonas teme a Deus e se rebela.

3. os pagãos demonstram mais amor do que Jonas, o profeta de Deus.


3. Jonas

3.1 Descendência e História

Assim como já foi dito, o nome Jonas, (no hebraico hnAoy, Yônâh, que quer dizer Pomba) era um nome muito comum em Israel.

Possivelmente, Jonas, o profeta, seja filho de Amitai, conforme nos é apresentado em II Reis 15.25. Se isto for verdade, podemos reconhecê-lo como um profeta bastante ativo durante o reino de Jeroboão II, no reino norte de Israel, entre os anos 787 e 747 a.C.

Sua cidade natal era Gate-Hefer, um vilarejo na tribo de Zebulom, atual Galiléia, no norte de Israel, situada entre 5 e 7 quilômetros de Nazaré.

Henrietta C. Meares[18] aponta uma outra genealogia para Jonas, ela diz que a lenda judaica afirma que Jonas era filho da viúva de Sarepta, aquela a quem Elias ressuscitou e que Jonas provavelmente tenha sido discípulo de Eliseu, o jovem a quem Eliseu enviou para unir Jeú, a fim que se tornasse o próximo rei de Israel. Segundo as tradições judaicas, provavelmente Jonas sucedeu Elias como profeta.

Podemos afirmar, também, que Jonas viveu numa época dificílima, e sob o regime de um rei perverso, que “fez o que era mal diante do Senhor” (II Reis 14.24).

Archer[19], diz que Jonas parece ter começado seu ministério profético um pouco antes do reinado de Jeroboão, ou pelo menos, antes deste rei brilhante ter conseguido alguns dos seus trunfos militares mais marcantes.

O nome do pai de Jonas, como já vimos era Amitai, seu nome é a junção de Emeth (“verdade”) com Ya (Yhwh, o tetragrama sagrado). O melhor sentido seria “Deus (é) verdade”. Um belo nome tinha o pai de Jonas. Uma outra possibilidade, segundo Isaltino Gomes[20] é a junção de Emeth (“verdade”) com o sufixo y (“de mim”). Nesta interpretação o nome significa “minha verdade”.

Fora do livro de Jonas, seu nome citado apenas no livro de 2 Reis 14.23-25 e Mateus 12.40-41. O profeta também é citado no livro apócrifo Vida dos Profetas, em 10.23


3.2 Ambiente Histórico

Para compreender o livro de Jonas, é importante compreender o ambiente histórico em Israel em sua época.

Segundo Crabtree[21], o rei assírio Salmanaser III conquistou quase todas as nações do seu tempo. Pelas suas ações tirânicas e prepotentes, era chamado de “o todo-poderoso dos quatro cantos da terra”. No seu reinado houve uma famosa batalha (854-853 a.C.), conhecida pelos arqueólogos como a batalha de karkar, travada por doze reis palestinos, inclusive Israel do Norte, contra os assírios, à margem do rio Orontes. Salmanaser saiu vitorioso, e Israel ficou tributário dos assírios.

Depois da morte de Salmanaser III, fracassou, por um curto período, o poder assírio. Vem então a época áurea de Israel do Norte com Jeroboão II. O fraco rei assírio que sucedeu a Salmanaser não era muito importante, por isso não é mencionado no livro de Jonas.

Jonas profetizou durante o reinado de Jeroboão II, quando esse monarca governou em Samaria durante 41 anos. Numa época de prosperidade financeira, conquistas militares e paz na fronteira.

Segundo Lopes[22], nessa época, a nação também se entregou à opressão econômica, aos desmandos legais, ao descalabro moral e à apostasia religiosa. Foi nesse período que Amós denunciou a ganância insaciável dos poderosos, a mancomunação dos juízes com os ricos para oprimirem os pobres, a corrupção dos valores morais e o desaparecimento da piedade em virtude de uma religião sem ortodoxia e sem vida.


4. Nínive

4.1 Nome

Nínive foi a principal cidade e última capital da Assíria. Suas ruínas se encontram próximo do rio Tigre, defronte de Mosul, Iraque.

O termo hebraico para ninewêh (em grego Nineue; no clássico Ninos) é uma tradução do assírio Ninua (em babilônio antigo Ninuwa), que por sua vez é a transliteração do nome sumério mais antigo ainda, Nina, nome da deusa Ishtar, escrito com um sinal representando um peixe dentro de um ventre.

4.2 História

A primeira vez que o nome da cidade aparece na bíblia, é em Gn 10.11, Nínive era uma das cidades do norte, fundadas por Ninrode ou Assur depois de haver partido da Babilônia.

Escavações[23] que penetraram 25 metros de terra adentro e alcançaram solo virgem demonstraram que o local era ocupado desde tempos pré-históricos (4.500 a.C.).

O Império assírio —- período de 1700 a 610 a.C. Neste período organizaram-se em uma sociedade extremamente militarizada e expansionista, ficando famosos pelos métodos extremamente cruéis de fazer a guerra. Realizaram diversas conquistas e estenderam seu domínio além da Mesopotâmia, chegando ao Egito. Durante o segundo milênio a.C., a Babilônia foi saqueada pelos hititas (1531 a.C.) e submetida depois aos cassitas. A cidade tornou-se assíria (séc. VIII-VII a.C.) e foi reconstruída.

No século VII a.C. Babilônia foi tomada pelos elamitas de Susa (hoje no Irã). O Rei Assírio Senaqueribe reconquistou-a em 698 a.C. e destruiu-a completamente. Senaqueribe foi assassinado por volta de 681 a.C. e o novo rei, Asarhaddon começou a reconstrução de Babilônia. Mas seu sucessor, Assurbanipal, destruiu-a novamente.

Aproximadamente em 670 a.C., Assurbanipal constituiu a primeira grande biblioteca da Antigüidade, que continha milhares de tábuas de argila, com a escrita cuneiforme, muito antes da de Alexandria, no Egito. Esta Biblioteca situava-se em Nínive e é considerada a primeira biblioteca organizada da história.

Com a morte de Assurbanipal o Império entrou em decadência e inúmeras revoltas dos povos dominados levaram os assírios à derrota em 612 a.C. Nesse ano, Nínive foi tomada por uma coligação de medos e caldeus em uma dinastia independente chamada “Neobabilônia”. Seu fundador, o general caldeu Nabopolassar conquistou e destruiu Nínive para sempre.

Os palácios de Nínive eram cobertos de esculturas em baixo-relevo, representando cenas de batalhas e da vida cotidiana dos assírios. Pelo que restou deles e da biblioteca (foram recuperadas cerca de 20000 tabuinhas da sua famosa biblioteca) sabemos muito da história desse grande Império. A mais antiga observação do planeta foi realizada em pelo menos dezessete séculos a.C. São as observações de Bel, escritas em caracteres cuneiformes encontrados em tábuas nas ruínas de Nínive, que contêm também um livro totalmente dedicado ao planeta Marte.

Em 612 a.C. ocorre a destruição de Nínive pelos medas, coma ajuda dos caldeus, provocando o fim do poderio assírio.

No auge de sua prosperidade, Nínive era cercada por um muro interior com cerca de 50 quilômetros de extensão por 16 quilômetros de largura. Havia 5 muralhas e 3 canais que circundavam a cidade. As muralhas tinham 30 metros de altura e permitiam que 4 carros corressem lado a lado sobre elas. O templo de Nínive tinha a forma de uma pirâmide.. Pesquisas feitas em 1.834, por Felix Jonas, afirmam que nessa área seria possível viver mais de 175.000 pessoas. No entanto alguns estudiosos afirma que a grande Nínive teria capacidade para abrigar entre 500 a 600 mil habitantes.

4.3 Religião e Cultura

Nínive recebia o nome da deusa Ishtar, uma das divindades dos assírios, que a chamavam de rainha dos céus. Ishtar chegou a ser adorada em Judá, conforme podemos ver em Jeremias 7.18 era a deusa da guerra e do amor, entendendo-se por amor a palavra sexo. Portanto violência e imoralidade marcavam a existência da cidade. Seu fundador, segundo alguns exegetas, Ninrode foi o primeiro caçador de homens, um escravista. O primeiro homem a tentar dominar o mundo, subjugando os outros. Um protótipo de Hitler, segundo Isaltino Gomes[24], Nínive a capital da Assíria, tornou-se famosa por sua crueldade. Seus métodos de tratar os vencidos incluíam decepar as mãos, vazar os olhos, esfolamento, etc. chegou a cobrar tributos de Israel (2 Rs 17.)

4.3.1 Ishtar

Ishtar é a deusa dos acádios, herança dos seus antecessores sumérios, cognata da deusa Asterote dos filisteus, de Isis dos egípcios, Inanna dos sumérios e da Astarte dos Gregos. Mais tarde esta deusa foi assumida também na mitologia Nórdica como Easter – a deusa da fertilidade e da primavera.

Esta deusa era irmã gêmea de Shamash e filha do importante deus lua – Sin. Esta deusa é representada pelo planeta Vênus.

Considerados uma das maravilhas do mundo, os Portões de Ishtar, na Babilônia, foram transportados para um museu na Europa -Museu de Berlim. Uma réplica encontra-se no Iraque.

4.3.2 Rituais

Todo o culto aos deuses é feito através de rituais. Ishtar tinha alguns rituais de caráter sexual, uma vez que era a deusa da fertilidade, outros rituais tinham a ver com libações e outras ofertas corporais.

Um ritual importante ocorria no equinócio da primavera, onde os participantes pintavam e decoravam ovos (símbolo da fertilidade) e os escondiam e enterravam em tocas nos campos.


5. Choque Nacionalista – Porque Jonas não queria ir para Nínive?

O início do ministério profético de Jonas foi num período em que Israel corria o risco de ser extinto como nação. Nessa época, era um tempo de uma enorme pobreza para a grande maioria da população. O empobrecimento radical dos pobres era alarmante.

Paralelamente, a expansão militar em Israel era tremenda e atingia um nível bastante estável de segurança nacional. Em II Reis 14.25-28[25] afirma que Jeroboão II restabelece as fronteiras e conquista espaços pela via das forças armadas; enquanto isso, o povo passava por uma angústia social horrível. Não havia o menor vislumbre ou esperança de mudanças radicais, pois não se contava com ninguém que socorresse Israel, diante dessa situação, Jonas se transformou num profeta extremamente politizado; por conseguinte, ideologizado.

Ele tinha consciência, por exemplo, de que nos seus dias, a grande ameaça para Israel era a Assíria, que tinha como uma de suas principais cidades Nínive. Este era também um pensamento comum a todo cidadão de Israel.

Nínive era uma cidade que se tornou famosa pela sua crueldade. A crueldade assíria era lendária. Lopes[26] comenta que todos os povos detestavam as práticas desumanas das tropas vitoriosas assírias e que em algumas cidades, ao verem que seriam invadidas, cometiam suicídio coletivo em vez de cair nas mãos dos brutais assírios.

Jonas conhecia bem Nínive, como um bom israelita sabia bem da fama da cidade. Quando Deus o comissiona parra ir a Nínive, ele sabe, como profeta que é e que conhece também a Deus, que Ele é misericordiosos e que vai dar uma oportunidade a Nínive se houver conversão na cidade. Para Jonas, a salvação de Nínive poderia trazer, posteriormente, uma derrota para Israel. A sobrevivência dos ninivitas poderia trazer morte aos judeus. Anunciar a Palavra de Deus aos ninivitas seria como trabalhar contra o seu povo. Jonas estava disposto a morrer, mas não queria ver a nação israelita sucumbir sob o poder de Nínive. Jonas, como um bom profeta, sabia que Isaías e Oséias, antes dele, haviam profetizado que a Assíria invadiria Israel.

O que assusta Jonas não era anunciar o juízo nas ruas de Nínive, mas a possibilidade dos ninivitas se arrependerem e de Deus suspender o castigo.

Jonas prefere sofrer a condenação de Deus a fazer a vontade do Senhor. De igual modo, a Moisés[27], que preferiu que seu nome fosse riscado do livro a ver Israel ser destruído. Semelhantemente a Paulo[28], que preferiu perder-se a ver Israel condenado.

Avanço[29] destaca também, que não se pode negar o egoísmo de Jonas, pensando ele ser o detentor, exclusivo, dos privilégios e conhecimento de Deus, recusando em dividir esse privilégio com outros povos.


6. Referências

6.1 Livros

1. ARCHER JR, G. L. – MERECE CONFIANÇA O ANTIGO TESTAMENTO?. Tradução Gordon Chown. São Paulo: Edições Vida Nova, 1998.

2. CHAMPLIN, R. – O Antigo Testamento Interpretada Versículo por Versículo. São Paulo: Editora Hagnos.

3. COELHO FILHO, I. G. – JONAS: NOSSO CONTEMPORÂNEO. Rio de Janeiro: JUERP, 1992.

4. ________. – OS PROFETAS MENORES (I) – OSÉIAS, JOEL, AMÓS, OBADIAS E JONAS. Rio de Janeiro: JUERP, 2004.

5. CRABTREE, A.R. – PROFETAS MENORES. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1971.

6. DOUGLAS, J.D., org, et all. – O NOVO DICIONÁRIO DA BÍBLIA. São Paulo: Edições Vida Nova.

7. D´ARAUJO FILHO, C. F. – JONAS: O SUCESSO DO FRACASSO. Niterói: Vinde, 1994.

8. HILL, A.; WALTON, J. – PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO. Tradução Lailah de Noronha. São Paulo: Editora Vida, 2006.

9. LASOR, W. S., HUBBARD, D. A., BUSCH, F. W. – INTRODUÇÃO AO ANTIGO TESTAMENTO. Tradução Lucy Yamakami. São Paulo: Edições Vida Nova, 1999.

10. LOPES, H. D. – JONAS: UM HOMEM QUE PREFERIU MORRER A OBEDECER A DEUS. São Paulo: Editora Hagnos, 2008.

11. MEARS, H. C. – ESTUDO PANORÂMICO DA BÍBLIA. Tradução Walter Kaschel. São Paulo: Editora Vida, 1999.

12. PINTO, C. O. C. – FOCO E DESENVOLVIMENTO NO ANTIGO TESTAMENTO. São Paulo: Editora Hagnos, 2006.

6.2 Bíblias

1. BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada – Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2002. Edição em CD-Rom.

2. BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudos Plenitude. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004.

3. BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudos de Genebra. Tradução de João Ferreira de Almeida. São Paulo: Sociedade Bíblia do Brasil, 1985.

4. BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Editora Paulus, 2002.

5. BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudos Nova Tradução da Linguagem de Hoje. São Paulo: Sociedade Bíblia do Brasil, 2000.

6. BÍBLIA. Hebraico. Bíblia Hebraica Stuttgartensia. São Paulo: Sociedade Bíblia do Brasil & Sociedade Bíblica Alemã, 2009.

6.3 Sites

1. COATS, G. W. Book of Jonah. Disponível em < http://mb-soft.com/believe/txs/jonah.htm>. Acessado em: 07 de Abril de 2009

2. OLIVEIRA, E. R. VIVOS – O SITE DA FÉ CRISTÃ. Disponível em < http://www.vivos.com.br/104.htm>. Acessado em: 23 de Abril de 2009.

3. PAULA, J. POR UMA ESPIRITUALIDADE VOCACIONAL: UMA DEFINIÇÃO TEOLÓGICA DA VOCAÇÃO PASTORAL. Acessado em 12 de Março de 2009.

4. PRIMEIRA IGREJA PRESBITERIANA INDEPENDENTE DE CASA CAIADA. OS PROFETAS MENORES – TEOLOGIA E DOUTRINA. Disponível em <http://www.comunidadeamiga.com.br/>. Acessado em: 12 de Março de 2009.

5. RIBEIRO, E. A. S. O Livro de Jonas. Disponível em < http://www.arquidioceseniteroi.org.br/pnsneves/menu/AT/jonas.htm>. Acessado em 12 de Março de 2009.

6. FÉ E CIÊNCIA. Disponível em http://www.freewebs.com/kienitz/index.html. Acessado em: 24 de Abril de 2009.

7. WIKIPÉDIA. Disponível em < http://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%ADnive>. Acesso em: 04 de Maio de 2009.

6.4 Trabalhos

1. AVANÇO, J. A. – Estudo de Jonas. Trabalho apresentado na Faculdade Teológica Batista de Campinas.

2. SOBRINHO, P. S. N. – Jonas e a Baleia. 2007. Trabalho não publicado.


[1] C.f. Lasor, W.; Hubbard, D.; Busch, F. – Introdução ao Antigo Testamento, página 419.

[2] C.f. Champlin, R. – O Antigo Testamento Interpretada Versículo por Versículo, página 3.549.

[3] Pinto, C. – Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento, página 735-736.

[4] Archer, G. – Merece Confiança o Antigo Testamento? página 237.

[5] C.f. Mateus 12.40-41, que diz: “40 Pois assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre de um grande peixe, assim o Filho do homem ficará três dias e três noites no coração da terra.

41 Os homens de Nínive se levantarão no juízo com esta geração e a condenarão; pois eles se arrependeram com a pregação de Jonas, e agora está aqui o que é maior do que Jonas.” Versão NVI

[6] C.f. Mateus 16.17, que diz: “17 Respondeu Jesus: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus”. Versão NVI

[7] Ibid página 736

[8] Ibid página 3.548.

[9] Ibid página 416.

[10] Ibid página 240.

[11] Edwards, F. – Stranger Than Science – páginas 11 a 13, citado em Champlin, R. – O Antigo Testamento Interpretada Versículo por Versículo, página 3.550.

[12] Ibid página 241.

[13] deus NeboSendo o nome de uma divindade deriva-se da palavra semítico-babilônica nobre, anunciador, sendo um nome geográfico, poder representar o lugar onde se adorava o deus Nebo e neste caso, deriva-se do orábio naba, que significa elevação. Nome de um deus de Babilônia, Is 46.1, que presidia às ciências de Borsipa,perto de Babibônia, cujas imagens eram objetos de adoração no tempo de Isaías, Is 46.1.

[14] Coelho Filho, I – Os profetas menores (I) – Oséias, Joel, Amós, Obadias e Jonas – páginas 132-133.

[15] Coelho Filho, I – Jonas Nosso Contemporâneo – página 12

[16] Lopes, H – Jonas – Um Homem que preferiu morrer a obedecer a Deus – página 17

[17] Ibid – página 137

[18] Mears, H – Estudo Panorâmico da Bíblia – página 267

[19] Ibid – página 236

[20] Ibid – página 131

[21] Crabtree, A – Profetas Menores – página 101-102

[22] Ibid – página 14-15

[23] O Novo Dicionário da Bíblia – página 1.110

[24] Ibid – página 18

[25] C.f. II Reis 14.25-28, que diz: 25 Foi ele que restabeleceu as fronteiras de Israel desde Lebo-Hamate até o mar da Arabád, conforme a palavra do SENHOR, Deus de Israel, anunciada pelo seu servo Jonas, filho de Amitai, profeta de Gate-Héfer.

26 O SENHOR viu a amargura com que todos em Israel, tanto escravos quanto livres, estavam sofrendo; não havia ninguém para socorrê-los.

27 Visto que o SENHOR não dissera que apagaria o nome de Israel de debaixo do céu, ele os libertou pela mão de Jeroboão, filho de Jeoás.

28 Os demais acontecimentos do reinado de Jeroboão, os seus atos e as suas realizações militares, inclusive a maneira pela qual recuperou para Israel Damasco e Hamate, que haviam pertencido a Iaudie, estão escritos nos registros históricos dos reis de Israel.

[26] Ibid – página 49

[27] C.f. Êxodo 32.32, que diz: “32 Mas agora, eu te rogo, perdoa-lhes o pecado; se não, risca-me do teu livro que escreveste”.

[28] C.f Romanos 9.3, que diz: “3 Pois eu até desejaria ser amaldiçoado e separado de Cristo por amor de meus irmãos, os de minha raça.”

[29] Avanço, J. A. – Estudo de Jonas – página 3


Reforçando o elemento contemplativo…

A Inquietação Moderna

nietzsche - nietzsche

Em direcção a oeste, a movimentação moderna torna-se cada vez maior, de modo que, para os Americanos, os habitantes da Europa na sua totalidade se apresentam como seres que gostam do sossego e dele usufruem, quando estes mesmos, no entanto, voam em confusão como abelhas e vespas. Esta movimentação torna-se tão grande que a cultura superior já não pode madurar os seus frutos; é como se as estações do ano se seguissem umas às outras demasiado depressa. Por falta de sossego, a nossa civilização vai dar a uma nova barbárie. Em nenhuma época, os activos, ou seja, os irrequietos, foram tão considerados. Reforçar em grande medida o elemento contemplativo faz parte, por conseguinte, das necessárias correcções que se tem de efectuar no carácter da humanidade. No entanto, desde já, cada indivíduo, que seja calmo e constante de coração e de cabeça, tem o direito de crer que possui não só um bom temperamento, mas também uma virtude de utilidade geral e que, ao conservar essa atitude, até cumpre uma missão superior.

Friedrich Nietzsche, in ‘Humano, Demasiado Humano’

Numa das postagens anteriores, escrevi sobre essa inquietação da sociedade pós- moderna descrita aqui pelo grande filósofo. Confesso que esse assunto tem produzido em mim uma constante reflexão no sentido de que preciso buscar escapar dessa situação… Mas não é fácil.

Não é a primeira vez que leio Nietzsche, e percebo em seu pensamento ateísta, lampejos de idéias que remetem à crença na existência do DEUS que conheço. Quando ele conclui seu pensamento com a expressão… “ até cumpre uma missão superior..”, nada mais faz, ainda que sem intenção, do que incentivar-nos à reflexão para as coisas que o SER SUPERIOR , ao qual conhecemos como Yavé , nos impele.

“Ser calmo e constante de coração e de cabeça…”, me faz lembrar do conselho Paulino:

“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” Filipenses 4:8.

No original grego, a frase “nisso pensai” significa: “isto ocupe a sua mente por todo o tempo.” Nossos pensamentos são um termômetro e um indicativo de nosso caráter. É lei da vida que se alguém pensa com freqüência ou persistência em algo, o momento chegará quando não mais poderá deixar de pensar nisso. Essa é a razão porque é de importância máxima que a pessoa humana pense em coisas dignas.

E nesse tempo de “falta de sossego”, convém encorajarmos as pessoas a terem bons pensamentos. O resultado natural dessa prática, nos indica um vida de boa saúde mental e espiritual. Não é a toa que a palavra grega no novo testamento que indica arrependimento seja “metanoia” , que significa “mudança de mentalidade”. Daí a idéia de “uma virtude de utilidade geral” conforme a citação de Nietzcshe, pois a partir da mudança de nossas mentes, os valores morais da verdade poderão ser reconhecidos pelos que estão à nossa volta.

Pra mim, Nietzsche não era tão ateu quanto dizia…

José Junior

Relevância Ministerial

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Pastor Irland Pereira de Azevedo
Falando à seminaristas na Faculdade Teológica Batista de Campinas

Esta semana é marcada por uma série de conferências denominada “Liderar e Influenciar”, que trata de temas relevantes ao ministério pastoral e acontece na Faculdade Teológica Batista de Campinas. Ontem, 12/05, tivemos como preletor o Pastor Irland Pereira de Azevedo, muito conhecido e queridíssimo no meio batista. No ministério há 49 anos, o Pr. Irland falou aos futuros líderes, pastores e missionários e também à membros do corpo docente da faculdade sobre o tema: “Crises no Ministério Pastoral”.

Faz-se necessário de minha parte uma manifestação pública de agradecimento em nome de todo corpo discente, pelo empenho da faculdade que na pessoa de seu diretor Pr. Marcilio Gomes Teixeira e do coordenador acadêmico Pr. Antonio Lazarini Neto, envidaram todos os esforços possíveis para que temas tão atuais e importantes fossem trazidos aos alunos por preletores de tão alto nível.

Queria falar aqui, sobre o conteúdo da palestra de ontem, que tenho certeza, baseado nos comentários de nossos colegas ali presentes, serviu para esclarecer alguns pontos proeminentes sobre crises no ministério. Para quem acompanha os textos que tenho escrito sobre o assunto, já imaginam de antemão a ênfase que darei sobre tudo que ouvimos ontem. É isso mesmo caros amigos e leitores… Crescimento de Igrejas.

Entre os vários motivos que provocam crises no ministério sobre os quais ouvimos nesse encontro, um tem sido amplamente discutido e estudado nos dias atuais, a saber: A crise de identidade ministerial e a dúvida sobre qual metodologia temos usado ou devemos usar, para que o desenvolvimento e crescimento da igreja seja constante e satisfatório.

O Pr. Irland dá um precioso conselho para que enfrentemos a crise: “SEJA VOCÊ MESMO”. O conselho que ele dá é para que não compremos pacotes prontos, como algumas igrejas têm feito. Usando suas próprias palavras: “ Não queira ser Bill Hybels ou Rick Warren… conheça bem suas ovelhas, a comunidade, relembre os princípios bíblicos…Verifique os princípios bíblicos da ação ministerial de B.Hybels e Rick Warren, verifique se são rigorosamente bíblicos….Os métodos tem vínculos culturais, eles não são transculturais”…“Não espere resultados imediatos, lembre-se, você é um lavrador. Deve cuidar e trabalhar para que o crescimento natural da lavoura aconteça”…

O preletor manifestou uma grande preocupação com métodos trazidos até nós por esses pacotes fechados que mais parecem comprometidos com o marketing religioso de nossos dias e com a busca das necessidades e anseios das pessoas. “Como exemplo, citou uma filosofia de ministério de nosso conhecido “doutor em crescimento de igrejas”, Rick Warren, que diz: “ Muitos cairão pelo caminho… não aceitarão a visão…não importa ..Deus levantará outros”. Segundo Irland Pereira de Azevedo não pode e não deve ser assim… “Deus não chamou para prostrar aqueles que creram e por tantos anos serviram… é gente de Deus… Não precisamos fazer morrer ninguém para que nosso plano sobreviva.”

A contrapartida disso, creio eu, deve ser uma busca ao verdadeiro evangelho. Seja você mesmo, tenha convicção de sua divina chamada e de que seu modelo deve ser bíblia, o Novo Testamento. Nosso objetivo é pastoral, é dar vida. Devemos ter o desejo de levantar pessoas e não de deixá-las cair. O sopro de doutrina que derrubam pessoas, na verdade são sopros de falsas doutrinas. Usando as palavras do Pr. Irland, das quais faço as minhas: “Gente precisa de gente, gente precisa de Deus, pessoas precisam de pessoas.”

Que Deus no ilumine e nos capacite, para sabermos viver nesse tempo, e nos dê entendimento sobre a relevância de nossos ministérios.

José B. Silva Junior
Seminarista 3º anista da
Faculdade Teológica Batista de Campinas.

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O Blogueiro e seminarista Tiago Nogueira e esse que vos escreve durante o intervalo da conferência…

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Vista geral do auditório onde estão sendo realizadas as palestras

Olá, mundo!

Bem-vindo ao WordPress. Esse é o seu primeiro post. Edite-o ou exclua-o, e aí comece a brincadeira!

Formatura do curso de Bacharel em Teologia 2005 da FTBC

Dia 13 de maio de 2006, às 18 horas, no templo da Igreja Batista Central de Campinas, à rua Dr. Quirino nº 930 – Centro.

O CINEMA E O PÚLPITO

No dia 22 de março, quarta-feira, às 19h, a FTBC oferecerá uma Palestra sobre “Como usar filmes para ilustrar sermões“. Na ocasião, haverá lançamento simultâneo do livro Luz, Câmera, Ação (Editora Vida) de Celso Fernandes (Professor de Língua Grega na Faculdade Teológica Batista de São Paulo).

A palestra é gratuita

Professores da Teológica de Campinas recebem título de mestre

A Faculdade Teológica Batista de Campinas parabeniza os seus professores Luciano Peterlevitz e Antônio Lazarini pela obtenção do Mestrado em Ciências da Religião obtido na UMESP após terem sido aprovados pelas suas respectivas bancas examinadoras na terceira semana de março.

ENTREGA DE MONOGRAFIA

Formandos 2005 – está sendo alterado o prazo e a sistemática da apresentação da monografia. Preste atenção no novo formato:

    Entregar o texto ao/à orientador/a e à professora de monografia até o último dia de março.
    Devolver a monografia corrigida para o/a orientador/a e para a professora de monografia uma semana depois de receber as sugestões de correção deles/as.Entregar a versão final com a nota para o coordenador do curso uma semana depois de receber a nota do/a orientador/a e da professora de monografia. (Encadernação capa dura, cor preta. A nota da monografia é a média entre a nota do/a orientador/a e da professora de monografia).
    Não haverá mais a apresentação da monografia no dia 01 de abril. Por isso, só é preciso duas cópias para correção.

Prof. Reginaldo Santos Jr. – coordenador

SEMINÁRIO TEMÁTICO : BIOÉTICA

Nos dias 03 a 07 de Abril, a FTBC oferecerá um seminário sobre Bioética, realizado no salão de eventos do Seminário Presbiteriano do Sul situado na av. Brasil, 1200, das 19 às 22horas.

A palestrante será a Dra. Maria José Martins Duarte Osis da Igreja Batista Cidade Universitária. Ela é professora no nosso curso de teologia e professora e pesquisadora na UNICAMP. Além do doutorado em Saúde Pública, ela tem mestrado e bacharelado em Ciências Sociais e bacharelado em Teologia.

As inscrições deverão ser entregues na secretaria da FTBC antes do início do Seminário e poderão ser feitas a partir do seguinte modelo:

Ficha de Inscrição
Seminário Temático: Bioética

03 a 07 de Abril de 2006

Nome: _____________________________________________________
Endereço: ___________________________ Bairro: ________________
Município: ______________ UF: ____ E-mail: _____________________
Telefone (___) _________ Telefone (___) _________ CEP: __________

Igreja:____________________________ Município: ________________
E-mail/Site: ________________________ Telefone (___) ___________

A inscrição é gratuita, exceto para os/as alunos/as da FTBC.

Texto indicado para leitura prévia: DINIZ, Debora; GUILHEM, Dirce. O que é bioética? São Paulo: Brasiliense, 2002. 69p. (Coleção Primeiros Passos, 315).

Mais informações pelo telefone (19) 3243-0988 ou pelo e-mail faculdade@teologicadecampinas.com.br